Adventures of Merlin – série da BBC

Exibida há algum tempo na Netflix, a britânica Adventures of Merlin não é uma das séries que fez grande sucesso dentre o público brasileiro, pelo menos o adulto. Pudera. É uma aventura leve, sem cabeças cortadas, mulheres peladas, gente se alimentando de órgãos crus, e demais “trasheiras” que o pessoal gosta de ver. Também não é uma sitcom pastelão como muitas que fazem sucesso por aqui.

É uma série quase infantil, feita para “T-O-D-A a F-A-M-Í-L-I-A”. Isso é visível nos beijos comportados, na ausência de nudez e na recatada violência. Mas eu, apesar de crescida, gostei e recomendo. É o tipo de série em que existe um enredo central que se inicia no primeiro, e termina no último capítulo, de suas cinco temporadas. Porém, muitos capítulos têm uma história à parte que se resolve dentro dos 42 minutos do episódio, podendo se estender até um pouco mais (dois ou três episódios) quando no fim da temporada. Gosto desse sistema, similar ao de Buffy- a Caça Vampiros, pois a história central não fica tão cansativa e não é dada muita margem para os autores arrasarem com a vida de personagens que gostamos.

Sobre a temática:

A história do bruxo Merlin é tratada dentro do universo de Camelot, Rei Arthur e seus cavaleiros, com o detalhe de que nessa versão, Merlin é um adolescente de seus dezoito anos. Ele é mandado à Corte pela sua mãe, uma aldeã que teme que os poderes mágicos do filho sejam descobertos e ele seja condenado à morte pelo Rei Uther Pendragon (pai do rei Arthur). Em Camelot, ele deve encontrar o ancião “médico, físico, curandeiro, ex-bruxo” Gaius, que o acolherá e o ajudará a “controlar” sua magia. Isso tudo, convivendo com o Rei Uther, e praticamente lado a lado com o então príncipe Arthur. No núcleo central, ainda fazem parte as meninas, Morgana – jovem, de praticamente mesma idade que Arthur, criada por Uther como filha – e Gwenevere, moça simples, filha de um ferreiro, aia de Morgana, e futura rainha de Camelot.

Dentro desse contexto, os episódios trazem enredos em que Merlin está sempre salvando Arthur, e até mesmo, Uther, com seus poderes mágicos, muitas vezes guiado pelo seu mentor, o Dragão Kilgharrah. Sua magia, no entanto, é bem guardada, sendo descoberta pelo galerê (exceto Gaius, que já o sabe desde o início) somente na última temporada da série. O bonito de ver é a amizade formada entre Merlin e Arthur, basicamente uma Buffy & Willow.

Agora vem minha opinião sobre uma das personagens que gostei da evolução, e junto com ela vem um despudorado SPOILER.

Quando li As Brumas de Avalon em 2004, passei a achar Morgana uma personagem fundamental nas crônicas de Camelot, e sempre me decepcionava com demais enredos que a tratavam como uma bruxa qualquer, uma mera vilã-figurante, ou simplesmente a esqueciam. Quando comecei a assistir Adventures of Merlin não foi diferente, a chatice da Morgana nas primeiras temporadas é absurda. Era uma patricinha de jeito hipócrita, pois também carregava magia e procurava escondê-la com sorrisos e mimos a Uther, sendo que pelas costas o condenava com bicos e olhares críticos devido à aversão do seu protetor a bruxaria. Sua história, no entanto, evolui a partir da terceira temporada. Através de sua irmã cavaleira, a vilã e também bruxa, Morgause, ela descobre que Uther é seu pai biológico, o bastante para despertar a iniciativa de vingança por escondê-la durante seus vinte e poucos anos. Morgana se une com Morgause para detonar Uther, Arthur, e de quebra o romance do príncipe com sua criada Gwenevere, e assim, tomar o trono de Camelot, que é seu por direito. De fato ela consegue, e Camelot vira um desgoverno. Como a série é “para toda a família”, os heróis vencem no fim, e sua vitória dura pouco.

Mas ela volta…E com todo o gás. Na última temporada tem mais guerra. Os poderes de Morgana evoluem, e como de costume, sendo vilã, parece ser bem mais forte que o mocinho Merlin, já que a vitória deste ocorre por último. Morgana, portanto, tem sua posição imponente e de grande visibilidade, é a personagem que não me emociona positivamente, mas que gosto de odiá-la e amar o seu figurino.

Uma das coisas que gostei nessa série é que as mortes só ocorrem no final, então ninguém precisa se preocupar em sentir falta de um determinado personagem. A história termina, sim, com uma “merdinha”. Mas é “the end”, acabou, pior seria se o sofrimento rolasse no decorrer da série.
Elenco principal: Colin Morgan, Bradley  James, Anthony Head, Katie McGrath, Angel Coulby e Richard Wilson.

Devo dizer que comecei a ver porque estava com saudade de Buffy, então depois de assistir aos quatro American Pie com a Alyson Hannigan e a alguns filmes chatos da Sarah M. Gellar, fui ver o Anthony Head nesse papel de Uther. Não é a mesma história da Caça Vampiros, mas pelo menos são as mesmas caras.

Dou 4 de 5 estrelas, porque queria um final mais feliz.

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